(relato baseado em fatos reais)

Ele não era considerado um cara desantenado, nem por sua família, nem por seus amigos, nem por ele mesmo. De qualquer forma  uma coisa era clara, impossível saber tudo o que acontecia no mundo.

Ele era um estudante como muitos do nosso Brasil, talvez diferente de outros milhares também, de qualquer forma não fazia parte de um grupo pequeno e exclusivo daqueles que já nascem com um futuro certo na empresa do pai.

Estudou em escola particular, onde teve acesso a muito conteúdo, mas nem todas as informações tinham acesso a ele. Como assim!? Exemplo disso eram as deliciosas aulas de física, onde ele ficava ali babando e encantado com as lógicas das forças agindo umas sobre as outras, tangibilizadas nos laboratórios super sofisticados da sua escola, provando que a informação estava ali ao seu alcance, acessível, pronta para ser consumida e assimilada. Por outro lado, existiam as chatas e insuportáveis aulas de história, que contavam sobre a vida de pessoas que ele nunca iria conhecer e vivam num passado muito distante da realidade atual, provando que tudo isto se transformava em palavras em uma lousa que nunca encontraram uma oportunidade para entrar em sua cabeça.

info_mundo Como muitos que passaram por esta sensação na escola, este cara também passou. E da mesma forma que os outros, ele descobriu alguns anos depois como as aulas de história poderiam ser bem mais interessantes e valiosas, e com grandes oportunidades de acesso ao conhecimento dele, se fossem ministradas durante as viagens que agora ele fazia pela Europa, África e Ásia, já mais maduro e sedento por cultura.

Este cara voltou pra casa e passou no vestibular. Novamente mantendo o seu ciclo natural de vida, continuando a não enxergar milhares de informações que passavam por ele, mas consumindo centenas de outros dados que eram de seu interesse. Como milhares de estudantes de uma escola privada, este cara entrou numa faculdade pública, foi quando um novo mundo se abriu para ele. O mundinho protegido e controlado onde ele vivia, passou a se transformar, dia após dia, trazendo novos interesses e ao mesmo tempo mostrando o tempo perdido que ele despendeu para outras coisas.

Até aqui, o que eu contei, foi apenas para contextualizar quem era esse cara de quem estamos falando. Agora sim vamos entrar no contexto do Marketing que vive ao redor desse moleque. Descobrimos aqui, que o Marketing existe em diferentes formas e momentos na nossa vida, desde as aulas da escola com aquele professor falando na nossa frente, até o dia em que alguém bate na porta da nossa casa com um panfleto de asilo para nos entregar.

Existe uma regra do Marketing muito discutida, que diz: “A essência do Marketing é gerar uma necessidade no cliente que até então ele não imaginava ter.” E é isso o que acontece todos os dias, em qualquer lugar, em qualquer conversa. Mais interessante do que isto é imaginarmos duas coisas:

1. Estamos abertos para ouvir o que querem nos dizer? Isto é o que acabamos de mostrar sobre a vida deste cara até ele entrar na faculdade.

2. O Marketing, ou informações que chegam até nós, são o que precisamos? Aqui é o ponto mais importante, pois isso depende de onde estamos, quem somos, quanto valemos para quem quer nos mostrar algo, e assim por diante. O resumo de tudo isto está no Poder do Contexto, que entendemos pelo ambiente onde vivemos e as pessoas que nos cercam.

Onde eu quero chegar com isto? Muito simples. Vamos continuar a história desse jovem que entrou na faculdade.

Lá estava ele, depois de quatro anos de estudos intensos, em uma das melhores universidades de Ciências da Computação do Brasil (segundo o Marketing das revistas, dos familiares e professores que forçaram este garoto a passar no vestibular e conquistar uma das 40 vagas, concorrendo com mais de 35 pessoas por vaga, segundo outro Marketing). Nesta universidade, só ensinam sobre uma tecnologia específica, a gratuita e livre do império capitalista e monopolizador das grandes corporações (outro Marketing que vivia no ambiente dele e era despejado por professores com experiências neste mesmo ambiente). Nas salas de aula desta universidade, só existiam alunos que liam jornais e revistas anti-capitalismo, favoráveis ao socialismo (mais uma prova do Marketing controlado que jornais, revistas e tudo o que lemos nos fazem pensar). Em suma, este cara estava fadado a sair de lá sabendo tudo sobre uma plataforma de desenvolvimento maravilhosa e potente, mas completamente ignorante sobre sua maior concorrente e, pior do que isto, sabendo odiá-la por conta do ambiente e informações de onde ele viveu nos seus últimos quatro anos.

Intrigado com isto, este cara foi atrás de um algo a mais. Ao contrário de correr para a banca e comprar uma revista sobre outras tecnologias e sofrer o mesmo banho de Marketing que ele sofreu anteriormente, resolveu desafiar seus próprios conhecimentos e buscar perguntas para suas certezas. Concluiu que não adiantava buscar certezas para suas perguntas, pois estaria ouvindo opiniões de outros, incorporando verdades talvez não tão verdadeiras, sem ter a condição de saber o que era fato ou mito. O jeito foi desafiar suas certezas e buscar as perguntas para elas, entendendo o mercado de fato e conhecendo os desafios e as “manhas” do Marketing.

Em sua pós-graduação em Marketing e Gerenciamento, ele aprendeu a raciocinar, analisar, questionar e sugerir. Um novo mundo apareceu para ele e a sensação de crescimento como pessoa finalmente começou a surgir. Não eram mais frases ou textos de revistas, jornais ou artigos que diziam a ele o que era certo ou errado, bom ou ruim, eles simplesmente serviam como subsídios para que ele trabalhasse seu racional e criasse as perguntas, para então buscar suas próprias explicações. Foi então que ele conheceu a ignorância de quem levanta uma bandeira e fica cego por acreditar em tanta verdade que não é dele, ou então quem odeia seu maior concorrente a ponto de afastá-lo tanto e não mais notar o que ele tem de bom para oferecer e o que você tem de ruim para melhorar.

Muitos colegas deste cara bateram de frente com grandes conhecedores da vida como ela é, nossos pais e avós. Estes colegas se expunham e se defendiam com verdades e certezas que não eram deles, mas sempre de alguém que escreveu algo a respeito e ele tomou aquilo para si. Quem nunca ouviu alguém dizer: “Eu tenho certeza por que eu li em tal lugar!”, ou então: “Claro que é isto, foi não sei quem que falou!”. E quantas vezes desprezamos nossos pais e avós quando diziam: “Eu estou lhe dizendo isto, pois eu tenho mais experiência e vivi isto.”, ou então: “Você ainda vai me dar razão quando eu for mais velho.” E que raiva, quando anos depois descobrimos que eles estavam certos!

homem_teclado Enfim, tudo isto se transformou em verdade na vida deste cara que desafiou suas próprias informações e se colocou desconfiado em relação a um Marketing invisível que permeava sua vida. Tudo se mostrou claro e óbvio quando ele, pensando já começar a ficar por dentro do mundo real, foi convidado para trabalhar na Microsoft por uma obra do acaso. Acaso? Como assim um acaso? Para quem se forma em computação trabalhar na Microsoft não pode ser acaso. Pois sim foi. Em seu ambiente de vida nunca se falou de Microsoft como carreira, nem em casa (pois seus pais não eram da época do computador), nem na escola (pois não existiam aulas de computação, muito menos celular), nem na faculdade (pois lá só se falava de Linux, Java e IBM). Era mais do que natural que este cara tivesse interesse em trabalhar na IBM, pois era o Marketing Natural que o rodeava, e na sua cabeça, a Microsoft era apenas uma empresa americana sem qualquer vínculo com o Brasil (só existia Microsoft em Windows pirata).

Mas, assim é hoje a vida deste cara, que resolveu abrir a cabeça, olhar o mundo, enxergar o que existia fora do seu ambiente normal do dia-a-dia e ainda se depara com surpresas inusitadas.

Hoje ele trabalha na Microsoft e continua vendo e ouvindo seus colegas de faculdade defendendo uma bandeira com uma certeza enorme que nunca foi deles, ainda lá no mundinho pequeno onde eles se transformaram e nunca saíram, com suas cabeças cada vez mais fechadas para a real experiência do prazer em desbravar o mundo lá fora.

Conclusão: Somos bombardeados diariamente por informações que chegam até nós. Temos acesso a algumas outras informações que estão aí espalhadas para aqueles que querem ir buscar. E vivemos em um mundo onde a única certeza que temos, não é a que vamos um dia morrer, mas sim que, mesmo se nossa vida fosse eterna, jamais seremos capazes de conhecer todas as verdades que nos rodeiam.

Guilherme Carvalhal
Gerente de Marketing para Parceiros
Microsoft Brasil