Post por: Bruno Sonnino – Microsoft MVP

Participei da edição da ImagineCup 2012 na Austrália e tive a felicidade de mentorar a equipe Virtual Dreams, campeã nas categorias Windows 8 Metro Challenge e Windows Azure Challenge. Como MVP Microsoft, mentorar uma equipe finalista é uma experiência única. Mas, o que é a Imagine Cup e no que consiste o trabalho de mentorar uma equipe?

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O que é a Imagine Cup?

A Imagine Cup é uma competição patrocinada pela Microsoft e está em sua décima edição. Ela é composta por diversas competições, na área tecnológica: desenvolvimento, tecnologia da informação e mídias digitais (até o ano passado havia competições de vídeos e fotografias, descontinuadas este ano). A cada ano, é dado um tema de cunho social às aplicações. O tema deste ano (que é o mesmo dos três últimos anos) foi “Imagine um mundo onde a tecnologia ajuda a solucionar seus problemas mais difíceis”. Sempre com uma temática social, esta competição incentiva os alunos a projetarem soluções para diversos problemas encontrados no mundo: saúde, educação e meio ambiente são alguns deles.

O projeto deve ser desenvolvido por estudantes de instituições de ensino reconhecidas por seus países, cursando ensino médio, graduação ou pós graduação. Este projeto é de inteira responsabilidade dos estudantes e é de sua propriedade (não há nenhuma obrigação posterior quanto ao projeto – muitas equipes, após a competição, viraram empresas que tiveram sucesso na comercialização do projeto).

A cada ano, as competições mudam, a única que manteve o formato ao longo destes dez anos foi a de Software Design (Projeto de Software). Esta é a competição principal da Imagine Cup e os vencedores, além dos troféus normais, levam a copa para seu país e têm seu nome gravado nela.

Software Design tem um formato diferente das outras competições: enquanto as outras competições tem eliminatórias via Web e as finais são no país que a sedia, Software Design tem eliminatórias regionais e os vencedores de cada eliminatória, de 72 países vão para as finais. Lá eles passam por três eliminatórias: no primeiro round, são escolhidos 20 times, no segundo, seis e, após o terceiro round, é conhecido o campeão.

imagine2-012As outras competições tem eliminatórias via Web: os participantes mandam seus projetos para a organização da competição, que julga e escolhe os finalistas. Cada competição tem um formato diferente nas finais: as competições de games tem eliminatórias e precisam fazer um hands-on com os juízes e mostrar seu jogo. A competição de IT tem um projeto que deve ser desenvolvido em 24 horas: os participantes recebem um tema para um novo projeto e devem desenvolvê-lo em 24 horas. Outras competições não tem apresentações: os vencedores são escolhidos nas eliminatórias e apenas a divulgação dos resultados é feita no país. Isto muda de ano para ano, em cada ano as competições e o formato é diferente.

Vale a pena competir na Imagine Cup?

Sem dúvida, os benefícios são inúmeros: os finalistas vão para um país com tudo pago (sim, você só precisa por a mão no bolso para comprar as lembrancinhas J). Imagine conhecer países como India, Egito, França, Polônia, Austrália, com direito a passeio cultural (os participantes deste ano puderam escalar a Sydney Harbour Bridge - http://www.bridgeclimb.com/ e ver o zoológico de Sydney - http://www.taronga.org.au/taronga-zoo) e festa de abertura e despedida (no Egito, foi montado um palco nas Pirâmides e na França foi no Louvre). 2013 será o ano de São Petersburgo, na Rússia, este promete! Isto, sem esquecer dos “pequenos” brindes: além da mochila e camisetas, cada competidor ganhou um telefone Nokia Lumia 800 (carregado com voz e dados para a competição) e irá ganhar, quando estiver disponível, um tablet Windows 8.

AzureMas isso é só o começo, tem muito mais: você vai conhecer participantes do mundo inteiro, e fazer amizade com eles. Esta amizade vai durar por muitos anos e vocês terão oportunidade de trocar experiências e conhecimento. Seus projetos são julgados por juízes com muita experiência e isso traz um feedback fantástico para seu projeto e para a equipe. Nas finais é montado um “showcase” onde você tem oportunidade de mostrar seu projeto a repórteres e executivos do mundo inteiro, É um grande empurrão para seu projeto, não?

Estes são benefícios diretos. Há ainda os indiretos, que são bem maiores: criar um projeto viável não é tarefa fácil e a competição ensina coisas que faculdade nenhuma tem em seu currículo:

- Compromisso: você tem um compromisso com a competição e com seus colegas de time. Os prazos e limites devem ser obedecidos à risca. Caso não sejam, o time é sumariamente eliminado.

- Elaboração de um projeto viável: o tema da competição é bastante aberto para que você possa ter liberdade em sua escolha. Você deve encontrar um projeto que faça sentido e que se sustente: não adianta encontrar um plano mirabolante para salvar o mundo, se o projeto não pode ser executado. O projeto deve ser viável e rentável, além de fazer toda a engenharia de software, você deve fazer a engenharia financeira para que o projeto possa estar vivo depois de alguns anos.

- Apresentação: você deve vender seu projeto aos juízes e eles devem comprá-lo. Isto é semelhante ao que você fará a vida toda: vender suas ideias. Assim, você deve aprender a apresentar um projeto, com limites muito definidos: normalmente, cada equipe tem 20 minutos para apresentar o projeto (em inglês). Em que isso é diferente de quando você encontra um investidor que tem apenas 20 minutos para analisar seu projeto?

- Prazos e limites: cada competição tem uma série de documentos e vídeos que devem ser feitos. Por exemplo, na competição de Azure, cada competidor deveria apresentar um projeto na Web rodando em Azure, um documento com até 15000 caracteres e um vídeo com até 5 minutos. Estas regras são muito bem definidas e não têm desvios: documentos com 15001 caracteres e vídeos com 5.1 minutos desclassificam seu projeto, não importa o quanto ele seja bom. As entregas devem ser feitas até uma determinada data, à meia noite, GMT. Tudo isso faz com que você deva ler as regras com atenção e ter cuidado especial com as datas: meia noite GMT são 5 da tarde em Redmond ou 9 da noite em São Paulo!

- Estudar novas tecnologias e quebrar barreiras: muitas competições obrigam você a estudar as novas tecnologias. Por exemplo, para participar na competição de Windows 8 você é obrigado a aprender a desenvolver para esta plataforma, antes mesmo de seu lançamento! Além disso, alguns desafios fazem com que você use a criatividade para passar os limites. Na competição de Kinect os competidores tiveram de usar um kit de desenvolvimento que não permitia o uso de comandos de voz para controlar o programa. Mesmo assim, a equipe encontrou uma maneira para controlar o programa com a voz, o que trouxe alguns pontos extras para que fossem campeões.

Após a competição você tem um projeto. Você passou por todas as etapas para sua elaboração e, ao final, ele é seu, para fazer o que quiser: produzir, vender. Muitos projetos da Imagine Cup viraram empresas de sucesso, e a própria Imagine Cup se encarrega de dar uma mãozinha, com o Imagine Cup Grants (http://www.imaginecup.com/CompetitionsContent/ImagineCupGrants.aspx). Com tudo isso, você ainda pergunta se vale a pena participar da Imagine Cup?

Mentorando a equipe na criação de um projeto

O trabalho de um mentor de equipe é semelhante ao de um técnico de futebol: ele mostra as táticas para vencer o jogo, esquematiza jogadas, diz como é que deve ser o ritmo de jogo, mas não entra em campo. Como MVP de desenvolvimento, minha vontade é de entrar no projeto, por a mão na massa e desenvolver o projeto. Mas, por maior que seja a minha vontade, não faço isso, pois não é esse o trabalho do mentor. Estando de fora do desenvolvimento, posso olhar o projeto com outros olhos e ver que rumo está tomando. O trabalho do mentor é apenas orientar os rumos do projeto e ajudar em apoiar a equipe, levantar a bola quando tudo parece perdido, fazer brainstorming procurando novas saídas, novas soluções ou novas ideias....

O projeto se inicia com a escolha da equipe. A equipe deve ser multidisciplinar, pois o projeto também requer muitas habilidades: um time com 4 desenvolvedores excelentes não chega muito longe, pois é preciso muito mais que apenas desenvolvedores. Usabilidade é fundamental, assim precisamos de designers de UX (User Experience – Experiência de usuário). É necessário criar documentos bem escritos e vídeos atraentes. Algumas categorias precisam de hardware especial, assim é importante alguém que conheça eletrônica. Outras, como jogos, precisam de designers que possam fazer bons personagens, bons cenários e músicas interessantes. Ah, inglês é fundamental. Todos os documentos e apresentações são em inglês e é necessário um mínimo de fluência para vender seu.

Equipe montada, vamos ao passo seguinte: qual é o projeto? O tema é bem amplo e pode abrir muitas oportunidades. Algumas sessões de brainstorming, onde são jogadas ideias, podem ser muito boas. Aos poucos, as ideias vão convergindo e melhorando, até que se chegue a um bom projeto. É hora de detalhar o projeto, ver os pontos fortes e pontos fracos, analisar a viabilidade, tanto de execução como de retorno e, se o projeto não se sustentar, voltar a discutir novamente.

Com o projeto na mão, é hora de dividir responsabilidades. Normalmente, o prazo para execução de um projeto é bastante curto, assim é importante que cada participante tenha tarefas bem específicas, para otimizar o desenvolvimento. É interessante que cada um seja o “dono” e responsável pela tarefa, para evitar discussões. Por exemplo, na equipe Virtual Dreams, Roberto é o responsável pelo desenvolvimento da aplicação e Eduardo é o responsável pelo design. Quando se trata de algo sobre design, Eduardo irá dar a última palavra, enquanto que Roberto irá decidir sobre como desenvolver a aplicação. Os pontos em comum são discutidos e avaliados, e o mentor está lá para orientar e dar sua opinião.

O desenvolvimento da aplicação passa por diversas etapas: protótipos, análise de interface de usuário, desenvolvimento das diversas aplicações que compõem o produto, testes. Aqui é necessário discutir se o projeto de UI realmente funciona, se a interface pode ser desenvolvida de maneira simples, a arquitetura do sistema. São muitas reuniões, com discussões para lá de acaloradas J, mas no final chega-se a um consenso.

Com a aplicação pronta, é hora de validar o projeto: e os usuários, como veem o projeto? É bom? É fácil de usar? Satisfaz às necessidades? Falta algo? Tudo isso deve ser avaliado e mudanças devem ser feitas, para melhorar o projeto e adaptar às necessidades. Os usuários testame e avaliam o produto, dando suas sugestões. Finalizada esta fase, é hora de criar os documentos e vídeos. É importante que se dê atenção especial às regras de cada competição: cada uma tem documentos e especificações diferentes, quanto ao conteúdo e tamanho. Os vídeos devem ser produzidos, mostrando com cuidado o que o projeto faz. Todas as competições este ano solicitaram vídeos, como parte importante do julgamento, por isso deve-se ter uma atenção especial na sua produção.

Finalmente, o upload e o alívio: a sorte está lançada. Resta apenas esperar o resultado. Se vamos para a final, ótimo – já ganhamos uma grande recompensa por nosso trabalho. Se não vamos para a final, também ganhamos: aprendemos a montar um projeto, participamos de uma competição de alto nível e, principalmente, estamos contaminados: com certeza iremos participar no ano que vem, e vamos aprender com nossos erros – no ano que vem, nosso projeto será melhor que este, que em geral conta com o feedback dos juízes.

Conclusões

Mentorar uma equipe na Imagine Cup é uma tarefa muito gratificante. Para uma pessoa técnica como eu, a vontade de pôr a mão na massa é muito grande, mas o trabalho de coordenação e orientação também é muito gratificante e, quando a sua equipe chega às finais e sai campeã de lá é uma experiência inesquecível. Ainda mais para mim, que tive a felicidade de poder mentorar meus filhos, Roberto e Eduardo, campeões três vezes na Imagine Cup Austrália!

Bruno Sonnino – Microsoft MVP em Client App Dev

Bruno has been a consultant and developer for more than 20 years. He has written 7 books and write articles for many magazines and websites, including MSDN Brazil. He has developed more than 50 utilities for PCMag.com and gave talks at many conferences, like Teched 2006 to 2011, ReMix Brazil 2006 and 2007, Campus Party 2010 and 2012 and in the 6 editions of BorCon Brazil and in the 11th Borcon, in Long Beach, CA.

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Caso você também tenha interesse em participar dessa grande experiência tecnologia que a Microsoft oferece, seja como mentor de uma equipe ou montando sua própria equipe, fique de olho no site official do evento para os prazos de inscrição e temas abordados http://www.imaginecup.com/

Para saber mais sobre os MVPs e suas atuações visite o site global do programa no endereço http://mvp.microsot.com, e acompanhe as novidades do Brasil em nossos canais no Facebook e Twitter!